quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Madonna inaugura escola para meninas no Malauí



Ela sempre foi provocativa, polêmica e tudo mais que todo mundo já sabe. Afinal, quem sou eu pra apresentar Madonna Louise Veronica Ciccone
Mas, nos últimos anos a “material girl” (titulo que ela odeia!) tornou-se uma senhora mais espiritualizada.
Madonna aderiu à Cabala quando esperava sua primeira filha, Lourdes Maria (Lola) e desde então tem se mostrado mais ligada à causas sociais. A diva tem dois filhos adotivos do Malaui, além de Lola e Rocco Ritchie, da união com o diretor de cinema Guy Ritchie.
Agora a rainha do pop esta investindo um pouquinho dos seus milhões na construção de uma escola no país de seus filhos adotivos e aproveitou a sua popularidade para gravar um video pedindo doações.
“Estou aqui para pedir a vocês que me ajudem a salvar vidas de crianças que são talvez as mais vulneráveis do mundo”, diz ela.
“Raising Malawi, a organização que fundei em 2006, se dedica a acabar com a pobreza e ajudar milhões de orfãos. Fazendo doações, você pode literalmente transformar o futuro de uma geração inteira.”
“Me perguntei por que não Afeganistão ou Índia? Há crianças que precisam de ajuda em todo mundo. Mas havia alguma coisa que me conectava às crianças do Malaui.”, fala Madonna enquanto cenas de crianças orfãs são exibidas.



Querer aparecer? Ganhar mais popularidade? Dar uma de boazinha? Não sei. Acho que uma carreira de mais de 25 anos de muito talento, personalidade e de sucesso prova que Madonna não precisa disso.
O que vale é que, seja uma pessoa com muito dinheiro ou com poucos recursos pode fazer alguma coisa pelo seu próximo. Comece olhando à sua volta e veja o que você pode consertar. Faça a sua parte!

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

NOVAmente

Não sou nenhum militante de causa alguma, nem levanto bandeira de nada, não sou simpatizante de nenhum partido político, nem, muito menos, desejo me tornar herói dos “pobres, fracos e oprimidos”.
Falta de posicionamento? Má vontade de se envolver em causas sociais? Não. Apenas não tenho a pretensão de ser um líder revolucionário e na posteridade me tornar símbolo, e ter a imagem do meu rosto estampada nas bandeiras e camisas dos jovens.

Porém, tenho meu posicionamento em debates que levantam questões que se referem ao preconceito. Todas as formas de preconceito, o racial, o relacionado a grupos sociais, classes religiosas, o sobre os fisicamente diferentes, sobre a sexualidade de cada um. Enfim, todas as formas de preconceito.

Nós, seres humanos, indivíduos organizados em comunidade social, nascemos e crescemos sendo moldados pelo nosso meio. Como dizem, “somos o produto do nosso meio”. Sendo assim, tendenciosos ao preconceito com aquilo que é “diferente” de nós.

No entanto, uma causa bastante debatida no Brasil, mas sem nenhuma conclusão efetivamente a favor dos interessados é a homossexualidade. Muito se fala e pouco se faz! E vemos por aí o ódio velado pela hipocrisia dos que dizem que aceitam os gays, e até tentam ser politicamente corretos pra discursarem, “eu adoro os gays, tenho vários amigos que são.” Mas, e se fosse na sua família? Com seu filho? Você o apoiaria? Claro, que muitos, sim. Porém, infelizmente, nem todos são verdadeiros.

A questão é muito abrangente e não adianta ficar aqui só discutindo a demagogia de falsos discursos que dizem sobre essa questão. O importante é despertar para algo que, quer queira, quer não, é um fato presente na nossa sociedade. Que a diversidade sexual existe e, cada vez mais o ódio é praticado contra os que criam coragem de se assumirem e tentam viver a sua vida plenamente, como qualquer individuo.

Abaixo eu postei um vídeo institucional criado pelos alunos da UFRJ, com o apoio do Ministério da Educação, que ilustra bem o que estou tentando dizer, sobre a opressão e o ódio contra os que resolvem viver as suas “diferenças”:



Segundo uma matéria publicada na folha online no dia 21/04/2008, só em 2007, 122 gays foram assassinados no Brasil, vitimas da homofobia. E conforme, o antropólogo e presidente do Grupo Gay da Bahia, Luiz Mott, a cada três dias um homossexual é assassinado no país.

Por sorte, de acordo com a Secretaria Especial de Direitos Humanos, nos últimos anos, o país tem gradualmente mudado esse quadro. E ressaltam a existência de centros de atendimentos às vítimas de homofobia, onde os gays e travestis recebem apoio psicológico e jurídico. Atualmente, segundo a assessoria da SEDH, existem 50 postos em todo o país.

Outra iniciativa é a integração das políticas públicas para homossexuais, com a ajuda dos estados e dos municípios.

Mas ainda assim é pouco! O que falta ainda é uma legislação em busca por meio da criação de normas jurídicas, proteger os interesses juridicamente relevantes a essa causa. Para assim então, criarmos um país mais justo e igualitário.

E você, tem ficado impassível a esse horror e ódio? Pelo menos, tentemos nos informar, conhecer e formar um conceito sobre o assunto. Porque preconceito, como o nome já diz, é apenas uma pré concepção sobre algo.

De modo geral, o ponto de partida do preconceito é uma generalização superficial, chamada estereótipo. Então, pela superficialidade ou pela estereotipia, o preconceito é um erro irracional, sem nenhum argumento fundamentado.

Pense, antes de discrimar alguém! Pois, como diz a descrição desse vídeo acima, a discriminação é “para um, somente uma brincadeira, para outro, uma opressão diária”.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

No Braseiro

Tudo o que quero da vida é ser feliz, amar sem dor, ter saúde e alcançar a plena paz de espírito. E um pouco de dinheiro para suprir algumas vaidades...



"Quero justiça, alegria e quero paz,
Mas com direitos iguais, como já disse Tosh
E quero mais que um milhão de amigos do RC
Como Luís e Su, as maravilhas do mundo quero comer
Quero me esconder debaixo da saia da minha amada
Como Martinho da Vila, em ancestral batucada
Eu quero é botar eu bloco na rua, qual Sampaio
Quero o sossego de Tim Maia olhando um céu azul de maio
Eu quero é mel, como cantou Melodia
Quero enrolar-me em teus cabelos
Como disse Wando à moça um dia
Quero ficar no teu corpo, como Chico em Tatuagem
E quero morrer com os bambas de Ataulfo bem mais tarde
Só que bem mais tarde
Eu quero ir pra ver Irene rir, como escreveu Veloso"

Trecho da música No Braseiro, interpretado por Roberta Sá, Composição: Pedro Luís

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Feliz dia das crianças!



Parece ser meio nostálgico dizer, “naquele tempo era melhor”, mas quem viveu a infância nos anos 80, sabe o quão era divertida e saudosa aquela época. Tanto, que hoje em dia existem muitas festas que relembram e celebram os anos 80.

Quem não se lembra do Bozo?

A Simony de hoje nem lembra em nada o que representava naquela época. E os Menudos? Quem usava kichutes para ir à escola? Quem não desejou um jogo de peças completa do lego? Eu corria do colégio pra assistir o He-man no Xou da Xuxa. O Jaspion era meu herói favorito.

Quem gostava de tomar Biotônico Fontoura pra abrir o apetite? E os LP’s compactos coloridos do Trem da Alegria, do Balão Mágico. Eu chorei quando vi Os Saltimbancos Trapalhões à primeira vez, Lucinha Lins cantando “historia de uma gata”...

Se eu ficar aqui relembrando, precisaria de linhas e linhas desse blog para descrever tanta coisa boa que só quem está perto dos 30 anos vai saber o que eu estou falando...

Mas tem uma dupla que me marcou muito e até hoje eu lembro com muita ternura e carinho, e são os fofíssimos Luan e Vanessa e o sua linda “Quatro semanas de amor”. Quem não se lembra? Claro que só quem está ficando balzaquiano... Ai, meu Deus estou ficando velho! (risos) Mas o que me consola é que vivi essa época tão maravilhosa...

Pra relembrar e mostrar pra nova geração que não conhece, abaixo postei o vídeo de “Quatro semanas de amor” dessa dupla querida, que não me lembro que tenha tido outro sucesso nas paradas, mas mesmo assim, essa deixou seus nomes marcados na história. Eles sumiram da mídia e segundo o Google, eles têm uma banda gospel, se converteram, são casados, tiveram um filho e moram nos EUA. Vale a pena relembrar:



Eu sabia a coreografia todinha (risos) e dançava com minha prima nos domingo que juntávamos a família e os parentes.

Tempos bons, que não voltam mais... Se for saudosismo, então eu digo: “Naquele tempo era melhor!” Eu era criança e minha única obrigação era ser feliz...

Mas, melhor que ser criança naquela época, era ser jovem no começo dos anos 90. Quem não se lembra da Lambada? Ai, como eu queria crescer logo pra poder dançar nas boates aquele ritmo tão frenético... Mas eu cresci e a lambada, não é mais uma febre...

Graças a Deus tem festas que comemoram aquela época tão extravagante e os mais moderninhos, contraditoriamente, estão valorizando a moda “retro”. Que maravilha!

sábado, 10 de outubro de 2009

Roberta Sá no Ceará Music 10/10/09

Ah, e por citar um trecho da música "No baseiro" da Roberta Sá no título do post anterior, vale lembrar que a nova musa da MPB irá se apresentar em terras alencarinas no Ceará Music neste sábado (10/10), no festival direcionado ao pop/rock que nesse ano resolveu abrir espaço para o samba e investir também numa coisa mais alternativa e mostrar para os jovens que a música brasileira não só aquilo que se ouve nas rádios, e o que a mídia de um modo geral, tenta nos empurrar goela abaixo.


Aí vai, abaixo, um video de apresentação muito legal do show da cantora:



Via http://moderacaorobertasa.blogspot.com/

Quero o sossego de Tim Maia, olhando o céu azul de maio




O melhor é ter dinheiro ou ter sossego? É claro, que a resposta imediata seria, ter os dois. Mas nem sempre temos esses objetivos que tanto buscamos, necessariamente nessa ordem. E nem, também, na ordem inversa...


Quando tentamos conciliar prazer e obrigação, sempre um sairá sacrificado. O importante é buscar o equilíbrio e isso é a palavra de ordem para tudo na vida: Equilíbrio.

Às vezes, me acho meio despreocupado demais. Mas de que adianta sofrer? Sofrer por antecipação, sofrer por ter perdido, sofrer por não ter conseguido, sofrer. Eu não! Prefiro viver. Tanto que eu já me preocupei que perdi boa parte dos meus cabelos e isso, sim, me faz sofrer, por ter sofrido sem precisar... Sem necessidade, numa idade que poderia ter vivido muito mais...

E alguém ainda hoje me disse: “Eu quero é dinheiro, quero ficar rico!”. Eu também! Quem não quer? E avaliando a vida dessa pessoa, pude constatar que apesar de não ter nem a metade dos cifrões dela na minha conta, eu sou mais feliz!

Entre ter mais dinheiro e ter mais amigos, conhecer mais lugares, ter uma mente mais aberta e saber apreciar as coisas boas da vida, eu fico com a segunda opção.

Há tanta gente infeliz por aí...

Sei que há um velho clichê que diz que dinheiro não traz felicidade. Não to aqui para engrossar os debates de quem levanta essa bandeira, até porque dinheiro facilita muito no caminho da felicidade. Você não seria feliz se tivesse um ente querido precisando de cuidados médico e não tivesse dinheiro para bancar as despesas. Mas de quê adianta morrer de trabalhar e não viver para ver os seus filhos crescerem, os seus pais envelhecendo, sua vida passando?

Eu não sou contra o trabalho, muito pelo contrário. Sinto-me útil no oficio. E gosto.

Mas não abro mão de viver. E viver não é viver na visão dos jovens que acham que farra e bebedeira são as únicas formas de divertimento, pois também sou jovem e adoro tudo isso, mas viver é amar a vida e abraçá-la com tanta força que nada pode te tirar esse sossego que é simplesmente, viver.

Eu quero sim, amar, ser feliz, viver... Nessa ordem. E se eu tiver dinheiro, melhor ainda!

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Eu, o futuro e a vida

          Penso, seja o que for que ainda me espera, que ainda tenho de enfrentar, continuarei e em cada etapa serei mais forte, frio e indolor.
          O que sou hoje, futuramente deixarei de o ser. O que nesse momento ainda não sou, sei que cada lágrima, cada grito de dor e desespero, tudo isto, me fará sê-lo a seu tempo...

sábado, 29 de agosto de 2009

Convite para ouvir Karine Alexandrino


Producta - Sonho e Fumaça
Composição: Karine Alexandrino


"Vamos fazer tudo só comigo
Tudo só comigo
Soy una señorita de sorte!
Meu!
Tenho una vida engraçada
Muita gente critica, "fala"
Só às vezes me aborreço
Mas é tão bom..
Viver minha vida inventada
- pode ficar com sua vida pra você
Às vezes me sinto até feliz
Quando aparece alguém
Que quer inventar de viver mi vida tb
Vem querido, vem me tocar
Sou real, material de primeira
Soy feliz, soy fabulosa, soy amada
Soy loca!
Loca por ti
Dou autógrafos todos os dias
Eu tenho a força!!!
Mi vida irreal
Irreal
Soy rica
Soy fabulosa!
É verdade
É sério"

Continuando a série de posts sobre alguns artistas que fazem algo diferente, inovador, cada um naquilo que lhes são atribuídos, e claro, meus favoritos, senti vontade de citar uma “astista” cearense, Karine Alexandrino. E, também de justificar o título desse blog, batizado por mim em referencia a um pedaço da música mulher ioiô do album QUEREM ACABAR COMIGO, ROBERTO (2004), 2° disco solo da cantora, que já foi integrou uma banda de um estilo bem experimental chamada, INTÓCAVEIS PUTZ BAND. E sim, estou panfletando! rs


Karine denominou-se diva anti-diva, tem um trabalho autoral que poderia ser definido como um neotropicalismo eletrônico, mas sua performance chama atenção pela universalidade dos temas.
Suas músicas servem como trilha para a vida de uma personagem inventada por ela em seu CD de lançamento chamado SOLTEIRA PRODUCTA (2002).


Producta é uma senhorita em busca de seu amor e foi transformada em mulher tombada no seu segundo disco “Querem acabar comigo...”. A “formosa bandida” a partir de então, começou uma especie de campanha em prol de seu tombamento pelo patrimônio imaterial. Claro, tudo brincadeira, ou não. Só sei que daí ela criou sua marca registrada que é o seu tombamento por onde quer que passe, seja onde for, ela tomba! Tomba mesmo, de cair no chão e nós caimos juntos. Pois, segundo ela , do chão não passa.


Confesso que a primeira vez que fui apresentado à sua música, achei tudo muito estranho e, pessoalmente, ela é uma criatura muito autêntica, chega chocar tamanho vanguardismo. Suas roupas parecem ter sido tirados de um desfile de tendencias de moda. E da sua boca saêem as tiradas mais inteligentes e engraçadas que já ouvi.


Estranheza à primeira vista, desconfio até que seja de proposito que ela faz. Porque Karine é daquelas artistas que não segue a resignação de quem quer fazer um trabalho muito certinho, politicamente correto e banal. Ela é confrontadora, independente e abusada, no melhor sentido da palavra.


Seu trabalho é bastante elogiado pela ousadia e pela sua performance no palco. Também, já se apresentou com a banda belga Vive La Fete no Abril Pro Rock em 2004 e fez muitas apresentações em diversas cidades do Brasil, o que lhe rendeu bastante destaque na época, fazendo inclusive, várias aparições na programação da MTV.



Karine também escreve para o Jornal “O POVO” em Fortaleza, na coluna “Valentina Warhol”, no qual já saí em algumas matérias sobre a minha banda imaginária MARICOTA & OS MÁRTIRES (depois explico!), desde então nosso sucesso aumentou (como diria um amigo, ALOKA!) rsss.

Além de tudo, acumula as funções de fotógrafa, apresentadora de TV e, mãe. Essa última a afastou dos palcos para fazê-la se dedicar totalmente ao pequeno Fausto, seu primeiro filho, que até onde sei, tem feito da mulher tombada uma mãe muito feliz.


Tá, os fãs entendem, afinal, o motivo é mais do que nobre, mas já estamos morrendo de saudade dos gritinhos, dos gemidinhos e do charme luxoso que a perdicta esbanja nas suas apresentações. O que parece estar próximo de acontecer, pois a mesma já se apresentou em São Paulo no último mês de julho. É a volta! E ela promete ter mais.


Que bom, pois sentimos falta de vê-la desfilando pela cidadela, de entrar em camarins pra falar com artistas por estarmos acompanhados por ela, que nos dava a maior moral e terminar a noite conversando barbaridades amênas e amênidades barbaras...


Eu, convido a todos a ouvir Karine, com os olhos e os ouvidos bem abertos e também a ama-la ou odiá-la, afinal, quem odeia também ama, do seu jeito.

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Vermelho almodovar

Dia desses, revi o filme VOLVER do maravilhoso Pedro Almodóvar. E como fã dos filmes desse diretor espanhol desde que assisti CARNE TRÊMULA, sem conseguir entender direito de inicio aquela fórmula almodoviana de criar aqueles personagens bizarros e cenas em fortes tons vermelhos, logo em seguida ser levado a ter outras sensações visuais, e por fim ficar completamente extasiado com a genialidade de um dos maiores diretores da contemporaneidade, hoje, sou um verdadeiro entusiasta da obra dele. Tanto que espero ansioso pela estréia de LOS ABRAZOS ROTOS no Brasil, prevista para novembro. E como a sinopse já anuncia, Almodóvar levanta questões da alma humana, marca registrada dele, como amor, fatalidade, ciúme, abuso de poder, traição, complexo de culpa, tudo isso mesclado como um quadro surrealista e visceral.


LOS ABRAZOS ROTOS traz de volta a parceria de Almodóvar com a maravilhosa e agora, diva oscarisada Penélope Cruz, que em Volver surpreendeu-me cantando, ou melhor, dublando, mas ela o faz tão bem que os desavisados nem percebem, pois a moça dá um show de interpretação para nenhum crítico botar defeito. Confesso que não acreditava muito no talento dela a um tempo atrás, mas essa cena, em particular, é de ficar sem fôlego de tão emocionante. É um dos ápices do filme!

Claro que isso se deve a genial direção de Almodóvar que, conta na trama de Volver as experiências de sua infância, rodeado pelo universo feminino, para analisar a relação entre mães e filhas e, também, do culto à morte nos ambientes rurais, sem fazer do longa um filme fúnebre.

Vale frisar que sinto falta nesse filme algumas características bem peculiares do diretor, por exemplo: o vermelho sempre intenso nos outros longas, nesse, é mais sutil. As reviravoltas e peças que ele costuma pregar nos espectadores, foram trocados por um roteiro mais focado na história de uma dona de casa aflita, mãe protetora e uma mulher forte e amorosa. E isso tudo contado com o olhar de devoção que Almodóvar tem sobre as mulheres. É um filme, segundo o diretor, feito pra elas.O longa mostra-se uma marcante lição de companheirismo, confronto com o passado, ajuste de contas e amor familiar.

Almodóvar tem plenamente a capacidade de captar a alma humana. E me sinto extremamente identificado com essa visão crua que ele tem sobre a vida.

Melhor filme dele? Não sei dizer. Até porque, gosto de tudo que já vi. Mas VOLVER é um filme único e complexo que levanta vários questionamentos sobre vida, amizade, família e amor.

Agora, é só esperar LOS ABRAZOS ROTOS!

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Onde está todo mundo?

Eu trabalho numa grande empresa de telecomunicação móvel e há pouco tempo, uma coisa me chamou atenção durante o meu expediente de trabalho, num treinamento sobre tecnologia e soluções de dados, voltado a novos meios de comunicação. Fui apresentado a tudo de novo que está sendo lançado no mercado da telefonia móvel e ao que o futuro pode trazer. Confesso que fiquei bastante impressionado com tanta coisa que não acreditava que um dia estaria ainda vivo para ver, coisas que durante a minha infância via muito em filmes futuristas e não acreditava que um dia isso seria real, que pudesse alcançar. Mas, ouvindo o que o que o instrutor dizia, fazia uma análise crítica sobre essa tal tecnologia. Não desprezando o que a modernidade trouxe e trará para facilitar a nossa vida, mas confesso que fiquei preocupado.
Durante o tempo que ouvia tudo que era dito naquela palestra, eu pensava em como
a passagem dos tempos, que trouxe as grandes invenções, a tecnologia que globalizou tudo, convergiu tudo em uma coisa só, diminuiu as distancias, contraditoriamente, individualizou as pessoas, distanciou-as do contato físico e as deixou mais solitárias.
Lembrei-me que minha mãe relatava que seus pais quando jovens, nas matinês de domingo, sempre iam ao cinema, e faziam daquilo um acontecimento, um encontro com os amigos, todos se vestiam com suas “roupas de domingo" e antes de ir pra casa tiravam uma foto no lambe-lambe da praça (coitado dos fotógrafos de praça, todos devem ter morrido de fome). Hoje, os melhores cinemas ficam dentro de um shopping. E apesar de ainda fazermos isso como um motivo de encontrar os amigos, namorados... Não é algo que fazemos como um grande evento. Naquela época, não tinha televisão, pelo menos não para a grande massa, e aquilo era o único contato que aquelas pessoas tinham com o mundo exterior. Comparado a hoje, o que é o rádio, o telefone, que já existiam então, se temos a internet que é algo que revolucionou o mundo e a velocidade das informações.
Mas a Televisão logo chegou e durante muito tempo não foi acessível a todos, tanto que lembro, na hora do Jornal Nacional lá em casa, já nos anos 80, na hora do jantar todo mundo tava junto, até os vizinhos. Isso mesmo! Nem todo mundo tinha esse eletro-eletrônico que hoje é tão popular, era um objeto de luxo, e TV em cores então? Nossa, era "coisa de rico"! Eu não era rico, nunca fui (que pena! hehe), mas lá em casa era uma das poucas que tinham. Lembro-me também que, na hora da novela, vinham umas três ou quatro vizinhas, amigas da minha mãe, assistir com a gente. E eu gostava de ver um monte de gente na minha casa. Era uma aproximação tão boa! Confesso que hoje não dou muita atenção a vizinhos, tenho medo do provincianismo deles. Mas faço questão de estar perto dos meus queridos. Detesto ficar muito tempo sem ter ninguém pra conversar (ou brigar! rs).
Mas voltando ao assunto, hoje a internet trouxe uma coisa que é a comunicação rápida, o relacionamento virtual e, isso, de certa forma nos afastou mais, deixou um pouco de lado o calor humano. Isso me assusta! Tenho medo de ficar cada vez mais longe dos meus amigos.
Será que a evolução das coisas está nos deixando mais sozinhos? Acredito que eu não seja uma pessoa saudosista, mas será que não estamos deixando as relações mais frias?Antes, pra se ver um filme arrumava-se todo, chamava-se os amigos, as (os) namoradas (os) e todos se encontravam numa bela tarde de domingo pra celebrar a amizade, a alegria, o amor... Depois, com a televisão ninguém mais precisava sair de casa para assistir um filme, por exemplo. E hoje, você sozinho, é isso mesmo SOZINHO, pode assistir a um filme na internet, no seu próprio celular, individualmente, solitário, como me foi apresentado, além de outras soluções, naquele treinamento de trabalho, equipamentos que, pensando por essa ótica, fazem isso. E o que vem depois? É isso que o futuro nos reserva?
Todo o processo evolutivo é de grande valia e se vem para trazer uma vida mais pratica ou solucionar antigos problemas, sou totalmente a favor! Mas não esqueçamos que o mais importante é viver, celebrar, amar, juntos e perto de quem queremos estar.
Enquanto ficava maravilhado com as tendências tecnológicas e com futuro da comunicação, naquela sala fria do ar-condicionado e um monte de pessoas que convivo só profissionalmente, sentia uma imensa vontade de abraçar algumas que eu amo, que amei e que ainda pretendo amar, da forma mais primitiva, mais natural e genuína. Por isso, eu peço encarecidamente a todos, não deixem de acreditar na união, não nos afastemos, não percam a vontade de abraçar uns aos outros. Eu gosto de sentir o calor dos meus amigos, amores e familiares. O cheiro, os beijos, o afeto. Não deixemos o mundo moderno distanciar nossos momentos e nem virtualizar os nossos relacionamentos. Vamos usar isso tudo como um aliado ao nosso meio de comunicação, mas nunca como principal forma de se ter contato.A solidão é um equívoco da vida! A caminhada é menos cansativa quando se anda de dois ou mais. Há sempre um lugar pra mais um do nosso lado...